4 de abril de 2008

Sem título

Nesta existência imprevisível, sobressaltada de pequenos tudos e gigantescos nadas, deambula-se sem saber se conseguiremos o que queremos e se teremos tempo de fugir do que tememos. E de noite tantas vezes se aterra numa sórdida solidão, ardendo-se em desejos e angústias. Loucos? São os que vivem. Néscios? Os que sobrevivem. Insaciáveis? Aqueles que se alimentam pela sede de VIDA. Infelizes? Essa torrente de seres aparentemente vivos que escorregam por essas calçadas no rebolar lento dos dias de mãos dadas às suas lamentações e frustrações.
O mundo tresanda a fraquezas, a medos e a amargas decepções.. Importa COLECCIONAR AÇUCARADAS HISTÓRIAS de todas as nossas viagens, dos caminhos em que felizmente tropeçamos e inalamos indescritiveis odores.. Importa DESPIR OS MEDOS. DERRUBAR AS BARREIRAS DA PELE.. DESFAZER AS GRADES QUE ESCONDEM AS MENTES...DEAMBULAR POR TODO O MUNDO..VIVÊ-LO.. TATUAR...ENCHER A RETINA DE IMAGENS QUENTES, DOCES, FLAMEJANTES, HIPNOTIZANTES...

6 de março de 2008

auto-retrato

Certa vez, perdidos no reino íntimo e húmido do teu quarto agarraste a minha mão com toda a força do teu impulso. Assustaste-me. Puxaste-me para diante do velho espelho do armário de madeira dorida. Lado a lado, obrigaste-me a fixar a nossa imagem, reflectida. Do outro lado, acenavam-nos dois seres aparentemente iguais.
- Vês?- perguntaste-me roucamente emocionado.
- O quê?- retorqui desnorteada pois não entendi o que pretendias.
- A nossa pele resplandece um suave murmúrio de luz...
Apaixonei-me por esse retrato extraordinário.

28 de fevereiro de 2008

...pedaços..



- Só te peço a tua pele.-implorou Ela.
- Só isso?- perguntou Ele.